OS MEDROSOS DA PROPAGANDA
Não tem coragem de correr atrás do utópico diploma do Normal Project? Copie e cole o código ao lado no seu blog e finja que você fez a sua parte. O selo da fundação é este aqui.

missão 002
A Morte do Leiteiro
Dificuldade: 7  Periculosidade: 2 Custo estimado: 0


Decorar e declamar andando e aos gritos o poema Morte do Leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade, em um local público e de grande aglomeração humana. O primeiro vídeo de até 3 minutos que chegar ao nosso e-mail renderá ao remetente o segundo dos cem raríssimos diplomas da fundação.

 

O QUE É
A Fundação Normal Project promove e fomenta a utopia através de manifestações individuais dentro da lei, sem o uso de violência, depredação de patrimônio e perturbação da ordem.

GALERIA DE HERÓIS
A primeira pessoa que cumprir rigorosamente a proposta e enviar a foto ou vídeo comprovando a tarefa, terá seu material divulgado no site da fundação e receberá o cobiçado certificado atestando seu ato de bravura (apenas 100 certificados serão emitidos). Assim que uma proposta é cumprida, outra é colocada no ar. As antigas tarefas são disponibilizadas numa galeria de heróis do site.

FAÇA AMOR, NÃO FAÇA MERDA
O Normal Project não apóia e nem divulga nenhum outro ato de bravura que não os propostos pelo site da Fundação Normal Project.

Morte do Leiteiro
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Para
Cyro Novaes

Há pouco leite no país
é preciso entregá-lo cedo.

Há muita sede no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há no país uma legenda,

que ladrão se mata com tiro.

Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata

sai correndo e distribuindo

leite bom para gente ruim.

Sua lata, suas garrafas,

seus sapatos de borracha

vão dizendo aos homens no sono

que alguém acordou cedinho

e veio do último subúrbio

trazer o leite mais frio

e mais alvo da melhor vaca

para todos criarem força

na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer

as coisas que lhe atribuo

nem o moço leiteiro ignaro.

morador na Rua Namur,

empregado no entreposto

Com 21 anos de idade,

sabe lá o que seja impulso

de humana compreensão.

E já que tem pressa, o corpo

vai deixando à beira das casas

uma pequena mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente

que aspira ao pouco de leite

disponível em nosso tempo,

avancemos por esse beco,

peguemos o corredor,

depositemos o litro...

Sem fazer barulho, é claro,

que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,

antes desliza que marcha.

É certo que algum rumor

sempre se faz: passo errado,

vaso de flor no caminho,

cão latindo por princípio,

ou um gato quizilento.

E há sempre um senhor que acorda,

resmunga e torna a dormir.

Mas este entrou em pânico
(ladrões infestam o bairro),

não quis saber de mais nada.

O revólver da gaveta

saltou para sua mão.

Ladrão? se pega com tiro.

Os tiros na madrugada

liquidaram meu leiteiro.

Se era noivo, se era virgem,

se era alegre, se era bom,

não sei,

é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.

Meu Deus, matei um inocente.

Bala que mata gatuno

também serve pra furtar

a vida de nosso irmão.

Quem quiser que chame médico,

polícia não bota a mão

neste filho de meu pai.

Está salva a propriedade.

A noite geral prossegue,

a manhã custa a chegar,

mas o leiteiro

estatelado, ao relento,

perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada.
no ladrilho já sereno

escorre uma coisa espessa

que é leite, sangue... não sei

Por entre objetos confusos,

mal redimidos da noite,

duas cores se procuram,

suavemente se tocam,

amorosamente se enlaçam,

formando um terceiro tom

a que chamamos aurora.